quinta-feira, 14 de outubro de 2010

A LEI DE GÉRSON


Mário Sepúlveda, o segundo mineiro a alcançar a superfície, definiu os 69 dias que passou soterrado na mina de San José, no norte do Chile dessa forma "Estive com Deus e com o diabo. Os dois brigaram e Deus venceu". E é bom que se mencione, além de Deus e do diabo, a sua excelência Sebastián Piñera que se tornou o novo presidente do Chile em 2010, depois de obter 51,6% dos votos no segundo turno das eleições, com 99% das urnas apuradas.
Sobre Deus, tem se a contribuição de Norman Geisler e Frank Turek, que escreveram um livro que traz por título “Não tenho fé o suficiente para ser ateu”. Esse título se não fosse tão sério seria cômico, não obstante, o homem caído teima em negar a existência de Deus, mesmo que seja em vão. Além Dele (Deus) existir, desenvolve uma missão para com aqueles que crêem em seu nome, dar vida com abundância, mesmo a quase 700 metros de profundidade como era o caso dos mineiros resgatados.
O Apóstolo João (10:10b), ao mencionar as palavras e ministério de Jesus Cristo sobre o “dar vida e vida abundante”, destaca também no mesmo texto o encargo do diabo, quando o chama de ladrão que vem “senão para roubar, matar e destruir”. Ele sempre sabe tirar proveito do descuido e negligencia do homem. Dessa vez Deus permitiu que os 33 mineiros ficassem no “fundo do poço”, mas Deus não admitiu que a vida de nenhum deles fosse ceifada pelo diabo.
E o que dizer de sua excelência Piñera? Na verdade ele é o retrato de todos os líderes de estado que dizem exercer a “ética hierárquica”. Colocando de contínuo o querer da maioria acima do desejo da minoria. O que ele e os demais presidentes ou reis esquecem é que a vida de uma pessoa vale mais do que milhões de pesos, dólares ou reais extraídos do subsolo. O que mais chamou atenção do mundo foi a atitude do mineiro Sepúlveda, que depois de dar um abraço apertado na esposa, distribuiu quatro pedaços de rocha para os presentes, que deveria ser cobre, responsável por 40% do PIB Nacional, dando também um pedaço inclusive para sua excelência e agradeceu pelo trabalho de resgate.
Resgate? Que resgate? Na verdade isso tudo não deveria ter nem acontecido. Sua excelência não fez mais do que a sua obrigação, pois fora ele mesmo que os colocou naquele buraco e agora fica com este discurso, diante das câmeras do mundo todo, de quê tem de “melhorar as condições das minas”.
No Brasil, a “lei” de Gérson indica a pessoa que “gosta de levar vantagem em tudo”, no sentido de aproveitar de todas as situações em benefício próprio, sem se importar com questões éticas ou morais. Gérson, ex-meia armador da Seleção Brasileira de Futebol, na década de 70 protagonizou um comercial para a marca de cigarros Vila Rica. A propaganda dizia que esta marca de cigarro, era vantajosa por ser melhor e mais barata, e Gérson mencionava no final “Gosto de levar vantagem em tudo, certo? Leve vantagem você também”.
No meio disso tudo, o único que não é “gersista” é o próprio Deus, pois Ele é o doador da vida. O diabo, em contra partida, é um especialista em tirar vantagens de tudo e de todos. E quando um presidente ou qualquer pessoa pública ou não, entra por esse caminho da vantagem inescrupulosa, ele está se demonizando.
Só para lembrar a sua excelência Piñera e quem quer que seja, que a Ética Hierárquica, prega que “uma pessoa real ou em potencial tem mais valor do que coisas reais”, asseverou Norman Geisler.

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Pr. Gilmar Tavares Reis

domingo, 10 de outubro de 2010

PAIXÃO ARDENTE PELAS ALMAS.


“Orai sem cessar” (1 Ts 5:17 RC)

           Dê prioridade tanto à oração comunitária, individual, como à intercessória. A oração é a chave para a sua radiância espiritual e pessoal. A oração é o segredo para a orientação em seus contatos e testemunhos. A oração é a chave para a unção do Espírito em sua vida e esforços. A oração é a chave para que o poder de Deus o revista, de modo a haver uma dimensão divina em seus esforços para ganhar almas. A oração é o segredo para uma paixão pelas almas e para toda a sua vida espiritual. Dê prioridade à oração.
       Há um século, Deus usou grandemente o Dr. A.T. Pierson, um ministro presbiteriano, como pastor na América do Norte, no Tabernáculo de Spurgeon em Londres, e como editor e líder do Movimento Estudantil Voluntário, ele conta aqui como receber esta paixão ardente pelas almas:
“Existe uma comunhão secreta com Deus pela qual obtemos este fogo do céu em nosso íntimo, e ela torna o trabalho pessoal com as almas fácil, natural, um alívio e um descanso. Demorar-se na presença de Deus até que vejamos as almas, como se através dos Seus olhos, nos faz pensar nelas com desejo incansável. Esta paixão pelas almas é provavelmente o produto mais elevado da comunhão espiritual com Deus. Ele nos absorve, e até a nossa própria salvação é esquecida nesse anelo apaixonado que levou Moisés a pedir para que seu nome fosse apagado do livro de Deus por causa de Israel. Ou que dispôs Paulo a tornar-se anátema por causa de seus irmãos. Parece-me que tal paixão é a forma mais sublime do amor abnegado, e a maior aproximação do motivo divino que impeliu Cristo a esvaziar-se de sua glória e majestade originais, assumindo a ‘forma de servo’ e suportando até a cruz”.
        Homem algum pode incendiar a si mesmo com esse fogo celestial; ele deve vir da brasa viva do altar lá do alto.

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Pr. Gilmar Tavares Reis

PERDÃO ANTES DE TUDO


“Perdoa os nossos pecados” (Sl 79.9)

Dezenove anos depois que se tornou rei da Babilônia, Nabucodonosor arrasou a cidade de Jerusalém (586 a.C.). Os Salmos 74 e 79 descrevem com amargura o que aconteceu. Um deles relaciona acertadamente a tragédia com os pecados da população e das autoridades anteriores à invasão babilônica (Sl 79.8).
Diante de tamanha humilhação e de tamanho sofrimento, o salmista suplica a Deus quatro poderosas manifestações: “Venha depressa ao nosso encontro a tua misericórdia”; “Ajude-nos”; Livra-nos” e “Perdoa os nossos pecados” (Sl 79.8-9).
De todas as quatro súplicas, a maior, a mais importante, a mais urgente, sem dúvida alguma, é a última: “Perdoa os nossos pecados”. E essa oração foi muito bem feita porque, na oração imediatamente anterior, o mesmo salmista havia pedido: “Não cobres de nós as maldades dos nossos antepassados”. Agora, ele não pede que Deus perdoe apenas os pecados dos seus antepassados, mas “os nossos pecados”.
Uma oração tão bem feita como essa tem toda a chance de ser atendida, tal qual a do publicano: “Deus, tem misericórdia de mim” (Lc 18.13).

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Pr. Gilmar Tavares Reis

sábado, 9 de outubro de 2010

MÃE GENTIL


O renomado escritor brasileiro, Monteiro Lobato, asseverou certa vez que “uma nação é constituída por homens e livros”. Certamente a sua observação é devida à profunda paixão que tinha pelo povo, formação e desenvolvimento.
Com um olhar mais fixo na nação brasileira, é notório que ela se compõe de um povo de diversas classes sociais. Independentemente do seu poder financeiro, todos precisam entender que ninguém é alguém sem o outro. Somos interligados de uma forma ou de outra. Por exemplo, a união de um povo pode favorecer a formação de leis, constituição ou governo. A grande questão é, se essa formação contribuirá com os princípios éticos ou não. Pois nem sempre o povo, na sua grande parte, está certo quanto ao que quer.
Como saber se o querer de um povo está certo? É justamente nesse momento que entra a questão da formação, pois não basta só ser informado, é preciso caminhar o caminho da escola, da faculdade, das universidades e do saber produzir conhecimento. O ilustre filósofo da religião, Luiz Sayão, menciona que “não se trata apenas do saber fazer, mas do fazer saber”. Fazer saber é a mola mestra em qualquer nação, entretanto, o paradoxo é que o Congresso analisa mais de 250 projetos que criam novas disciplinas obrigatórias, não obstante, de acordo com o especialista em educação Cláudio de Moura Castro, colunista da VEJA, “a regra básica da educação é ensinar menos para o aluno aprender mais... O currículo já é duas vezes maior do que deveria ser. Ninguém consegue aprender tudo o que é ensinado hoje em sala de aula”, diz o especialista.
Então, o que o governo diz hoje sobre desenvolvimento, não seria só um inchaço patológico? É verdade que foi criada uma série de “bolsas” para o povo, mas até quando elas estarão “cheias”? E cheias do quê? Todo inchaço deve ser tratado visando à cura, ou a debilidade se alastrará levando até a morte. Que as “bolsas” do governo estejam cheias de prioridades para com as matérias fundamentais, principalmente a língua portuguesa e a matemática, pois isso sim contribuirá com a formação do indivíduo.   
Oh, Mãe Gentil! Até quando o povo, teu filho, viverá como órfão, sem formação, sem desenvolvimento? Apreça-te em socorrê-lo, ou alguma instituição de “recuperação” o colocará em um caminho sem volta.

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Pr. Gilmar Tavares Reis

REFLEXÃO DA MORAL


Há quem diga que a reflexão da moral fica em cargo da ética. Mas o que é ética? Houaiss explica que “é parte da filosofia responsável pela investigação dos princípios que motivam, distorcem, disciplinam ou orientam o comportamento humano”. Nesse casso, cabe aqui uma reflexão a respeito dos valores ou exortações presentes na motivação da mídia, distorção dos políticos e disciplina do cidadão comum.
A mídia, em algumas de suas facetas, apresenta um total descomprometimento com a formação e informação. É dada ênfase em grande escala ao entretenimento dos ouvintes e telespectadores. Contribuindo em grande parte com o desenvolvimento de uma geração sem ética, ou seja, sem a capacidade de refletir sobre a moral. Luiz Sayão, professor de Filosofia da Religião, afirma que “uma sociedade sem ética torna-se insuportável”, e é isso mesmo que é visto.
O professor Rubens Junior ensinou certa vez que é bom fugir das generalizações. Portanto, é bom se fazer justiça ao falar das distorções dos políticos. Não são todos! São quase todos.
Existe uma minoria de políticos honrando o compromisso que fez perante Deus e a sociedade. Mas não deveria ser a maioria? Fala-se justamente em minoria para não generalizar que todos estão fazendo justiça. Agora por último, na edição de 22 de setembro deste ano, a revista Veja traz a expressão de Vinícios, ex-funcionário da Casa Cívil, “Caraca! Que dinheiro é esse?”. Isso ao abrir uma gaveta cheia de pacotes de dinheiro, na reação mais extraordinária do escândalo que derribou Ereníce Guerra, até então funcionária do Planalto. E o que é pior, todos ligados com a candidata a presidenta, Dilma Rousseff, a qual negou, logicamente, não ter nada a ver com esses reais. Seriam aqueles indivíduos “laranjas” na arrecadação de fundos para campanha?          
Cada cidadão, formador de opinião ou não, deve viver acima de qualquer suspeita. Seja na mídia, na política, na repartição pública ou privada, nas ruas ou dentro de sua própria casa; o cidadão deve, ou pelo menos deveria, ter uma consciência do que é o certo e preterir sempre o errado.
Israel Belo de Azevedo escreveu certa vez um livro que traz por título “O Olhar da Incerteza” fazendo uma crítica da cultura contemporânea. Mas, será possível que algum dia o olhar do cidadão para o outro terá certeza do que realmente está vendo? Os questionamentos surgem a cada dia, todavia, que a reflexão da moral, a ética, proporcione as respostas certas.

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Pr. Gilmar Tavares Reis

DANÇA COM LOBOS


A Enciclopédia Microsoft Encarta descreve a estrutura do Lobo como, mamífero aparentado com o chacal e o cachorro doméstico; é carnívoro e pode medir até 1,6 m de comprimento, incluindo a cauda. Tem “dentes muito poderosos” e cauda peluda. “Forma grupos familiares” e costuma caçar em bandos, sobretudo no inverno. Pais e crias constituem a unidade básica do grupo, “que se estabelece em um território” e o defende marcando-o com urina e fezes. Os lobos têm uma estrutura social muito hierarquizada e mostram modelos de comportamento para informar sua posição social de domínio ou submissão.

Todo esse arcabouço do lobo põe em evidência os “lobistas” aqui no Brasil. O lobo com dentes afiados os usa para destroçar a caça, aqui, porém, a presa é outra e as armas também são outras, assemelhando-se só no fim de suas atitudes, o engordar às custas de outros.

 A formação do grupo familiar do lobo indica a família do lobista. A Veja, uma das revistas de maior circulação nacional, destaca a ex-ministra da Casa Civil, Erenice Guerra, e seu filho lobista, Israel, que lideravam o grupo em parceria com a família de Marco Antônio (ex-diretor dos Correios) e de Vinícios Castro, o ex-assessor da Casa Civil, que ao encontrar R$200.000,00 reais em propina em sua gaveta na Presidência, exclamou “Caraca! Que dinheiro é esse?”. Tem ou não tem semelhanças à família do lobo com a do lobista brasileiro? Todos eles caçam em bandos.

Marcar território é uma característica do lobo, e do lobista também. Nesses últimos dias foram identificados alguns territórios, como por exemplo, os Correios, BNDES, Anac, Anatel e Infraero. Bom! Essas foram só as empresas que a imprensa, caçadora de lobistas, divulgou. Sabe lá se há mais territórios demarcados por aí, sendo que a “pátria amada” é tão grande, não é mesmo?

O pior é o abarcamento do atual presidente, seu Lula, e de sua candidata, sua Dilma, com os lobistas, vizinho de salas no parlamento. O envolvimento foi tão sério que chamou atenção do filósofo Roberto Romano, quando disse a Veja sobre os caçadores de lobistas “os parlamentares, como só pensam em receber recursos do Executivo, abriram mão de sua função de vigiar o governo. O Tribunal de Contas da União tentou assumir a função, mas foi silenciado. O Ministério Público Federal, inexplicavelmente, desistiu de investigar. A Polícia Federal está sob controle. Nesse cenário, a única ‘caçadora de lobistas’ e fiscal do governo é a imprensa”.

Na verdade, o brasileiro que vive no meio disso tudo, é quem está cansado de ser caçado. John Dubar, protagonista do filme “Dança com Lobos”, também expressou o esgotamento de sua alma com a guerra e com os valores da sociedade norte americana, retirando-se da Tennessee urbana, para um forte isolado no Sioux, em 1863, convivendo harmoniosamente com uma tribo indígena. Geralmente acompanhado de seu cavalo Cisco e de um lobo com quem faz amizade, passa a ser chamado "Dança com Lobos", pelos peles-vermelhas. Apesar de tudo, Dubar não consegue evitar a expansão colonialista do branco. Mas é melhor dançar com o lobo feroz, que com os ferozes lobistas.

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Pr. Gilmar Tavares Reis