terça-feira, 9 de agosto de 2011

MAL QUE NÃO QUERO


Fico analisando o Apóstolo Paulo, que tinha de pequeno só o significado do seu nome, Pequeno. Não obstante, ele já tinha um grande destaque antes mesmo de se converter com um nome romano, Saulo. Depois de se decidir por Cristo, recebeu o título de Apóstolo dos gentios. A sua mente consegue conceber o que significa isso?
O maior vulto da Igreja primitiva (At 13.9). Israelita da tribo de Benjamim (Fp 3.5) e fariseu (At 23.6), era cidadão romano por ter nascido em Tarso. Foi educado em Jerusalém aos pés de um grande mestre, Gamaliel (At 22.3; 26.4-5).
De perseguidor dos cristãos (At 8.3), passou a ser pregador do evangelho, a partir de sua conversão (At 9). De Damasco foi à Arábia (Gl 1.17). Voltando para Damasco, teve de fugir (At 9.23-25). Em Jerusalém os cristãos tinham receio dele (At 9.26-28), mas Barnabé o levou aos apóstolos. Fico imaginando a cara dos apóstolos quando o viram. Penso que eles ficaram com a crise dos três nós (1. Engolir seco; 2. Frio na barriga; e 3. Sensação horrível no baixo ventre).
Foi enviado a Tarso (At 9.30), e de lá, Barnabé o levou a Antioquia da Síria (At 11.19-30).
Com vários companheiros Paulo realizou três viagens missionárias (At 13-20). Em Jerusalém enfrentou a fúria dos opositores, indo parar em Cesaréia (At 21.17-23.35), onde compareceu perante Félix, Festo e Herodes Agripa II (At 24-26). Tendo apelado para o Imperador, viajou para Roma, onde permaneceu preso durante 2 anos (At 27-28). Lá escreveu aos Efésios, Filipenses, Colosenses e a Filemom.
Além disso escreveu mais nove cartas. Diz a tradição que foi libertado e realizou trabalhos missionários por mais 3 anos. Foi preso novamente e executado em Roma, provavelmente em 67 d.C., no tempo do Imperador Nero.
Com essa história grandiosa de vida e ministério, Paulo tinha um dilema. Diante desse conflito o apóstolo chega a confessar: “Porque não faço o bem que prefiro, mas o mal que não quero, esse faço” (Romanos 7:19 RA). Hendriksen, no comentário de romanos, observou (2011. p. 296):
 
“Pode parecer que Paulo, por meio dessa linha de raciocínio, esteja fugindo à responsabilidade de seus próprios pecados. Todavia, esse não é realmente o caso. Dois fatos permanecem sendo verdadeiros: (a) mesmo o invasor não é totalmente um estranho, mas é a própria natureza pecaminosa de Paulo; e (b) um intruso, um invasor ilegal, não deve ter permissão para permanecer”.

Se Paulo tinha essa subversão, o que posso dizer de mim?
Na verdade, sem fugir de minha responsabilidade, tenho feito muito que não quero. Sei do ensino bíblico sobre o perdão e quero perdoar, entretanto, não perdoo. Quando me ferem o rosto, não tenho virado a outra face. A segunda milha não tem feito parte do meu vocabulário. O velho homem tende a se manifestar e por vezes me pego brigando comigo mesmo sobre o porquê o velho homem ainda está em mim.
Aprendi logo cedo, início de minha fé, que um homem de Deus precisa sempre ser proativo, agir com base em princípios, contudo, ajo reativamente, no calor da raiva. Tenho sempre partido para o confronto de idéias. Por que faço isso? Por que sou assim? Paulo fazia o que não queria, todavia, não sou Paulo, não sou Davi, não sou Sansão, não sou Caim, não sou Judas, não sou Ananias e muito menos Safira. Quem sou eu? Na verdade quem sou eu, eu ainda não sei. Só sei que não quero ser mais assim... ficar assim...
Jesus se tu achares graça em mim, use de misericórdia e me ajude a vencer. Os dias são maus, as famílias estão em crise, a Assembleia de Deus no Brasil completou 100 anos de história, já está uma senhora de melhor idade, cresceu, e com isso os problemas também. Não quero ser um problema. Quero fazer parte da solução.
Recente ouvi de um amigo, amigo mesmo, pois só amigo diz o que ele disse, pois ele visava o meu bem; que sou chato, complicado... Concordo com ele, porém não quero ser assim. Quero ser uma nova criatura. Quero ser uma pessoa que quando vierem a mim ou estiverem perto de mim, que achem algo que acrescente a suas vidas positivamente. Que as pessoas saiam de diante mim melhores e não piores, amarguradas, com sentimento de morte.
Quem lê esse texto até aqui, peço que ores por mim. Que eu consiga produzir o fruto do Espírito Santo. Que através de meus poros transpire vida. Até porquê quem veio pra matar já está derrotado, logo, logo encontrará o seu fim; não obstante, quem dá vida em abundancia, é Eterno.

Por

Pr. Gilmar Tavares Reis