sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Luis Palau (1934- )


Um menino de 12 anos, nascido na periferia de Buenos Aires (Argentina), decidiu-se por Cristo. Seu fervor era evidente, mas poucos poderiam imaginar que ainda traria mais de meio milhão de almas para o Senhor. Seu pai já havia mostrado paixão pelas almas: sendo um próspero construtor e membro da igreja dos Irmãos de Plymouth, usava seus caminhões nos fins de semana para levar crentes às cidades vizinhas para testemunhar e distribuir folhetos.
Criado neste ambiente, Luis Palau começou a evangelizar ainda na adolescência, pregando na escola e nas ruas. Quando o entusiasmo inicial se apagou, Palau afastou-se do Senhor - mas foi tão grande a sensação de vazio e de descontentamento que ele voltou - dessa vez para ficar. Aos 16 tomou a decisão: "servir apenas a Jesus Cristo e dar minha vida para sua obra".
Certa noite, ao ouvir Billy Graham pregando pelo rádio, Palau orou: "Jesus, usa-me também no rádio para trazer outros de volta a ti, da mesma forma que esse programa aumentou meu compromisso contigo". Pouco depois, a oração começou a ser respondida: logo começou um programa de rádio de sete minutos, chamado Meditação Cristã.
"Às vezes parece que estive pregando toda minha vida", comenta Palau. Embora tenha começado a pregar na Argentina ainda na adolescência, só após completar trinta anos conseguiu desligar-se de seu emprego e unir-se à SEPAL para dedicar-se de tempo integral à evangelização das massas. Na adolescência, apesar de pregar em praça pública, e seu esforço evangelístico, muito pouco acontecia. Não conseguia resultados e havia problemas em sua vida pessoal. Noites em oração, e nada acontecia. Finalmente, Palau entendeu que ele era apenas um veículo para a ação de Deus que, na sua soberania, faria a obra por meio do Seu Espírito. Essa foi sua maior batalha espiritual: deixar Deus ser Deus, e Luis Palau ser dependente dele.
Já na década de setenta, Palau e sua equipe começaram a pregar em toda a América Latina; logo chegaram convites também da Europa. No início dos anos oitenta, o ministério de Luis Palau tinha um impacto crescente e as portas começaram a se abrir em todo o mundo. A partir de então, grandes multidões têm lotado teatros, escolas e estádios para ouvir a mensagem do Evangelho. Na Hungria, falando para 12.000 pessoas, 1.000 decidiram-se. Na Rússia teve a oportunidade de falar para 40.000, e 8.500 tomaram a decisão.
Luis Palau já pregou o evangelho para 13 milhões de pessoas em 67 países, além de já ter sido ouvido por centenas de milhões pelo rádio e televisão. Palau ensina a fórmula do seu sucesso como pregador: "Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne vivo-a na fé do Filho de Deus, o qual me amou, e se entregou a si mesmo por mim." - Gálatas 2:20.

CD_Pregue a Palavra.

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

George Whitefield (1714-1770)


Conhecido como o “príncipe dos pregadores ao ar livre”, foi o evangelista mais conhecido do século XVIII. Pregou durante 35 anos na Inglaterra e nos Estados Unidos, quebrou  as tradições estabelecidas a respeito da pregação e abriu o caminho para a evangelização de massa. Enquanto jovem sua sede de Deus o tornou consciente de que o Senhor tinha um plano para sua vida. Para preparar-se, jejuava e orava regularmente, e muitas vezes ia ao culto duas vezes por dia. Na Universidade de Oxford (Inglaterra) cooperou com os irmãos John e Charles Wesley, participando com eles no “Clube Santo”.
Isso porém não o impedia de sentir-se cada vez mais distante de Deus até sua conversão, em 1735. Nas suas próprias palavras, foi como se um “fardo pesado” tivesse sido removido. Fez seu primeiro sermão na igreja em que havia sido batizado. Seu fervor era evidente; alguns zombavam, mas outros ficavam impressionados - houve a queixa de que quinze de seus ouvintes “enlouqueceram” (se converteram)! Após isso pregou a mensagem do novo nascimento e da justificação pela fé para grandes multidões em Londres, mas outros começaram a recusar-lhe o púlpito, e a se lhe opor fortemente.
Na véspera da sua separação para o ministério, passou o dia em jejum e oração. Após ser ordenado diácono e receber sua graduação, partiu para a Georgia, Estados Unidos, a convite de John Wesley, onde ajudou a fundar um orfanato. Voltou à Inglaterra três meses depois para receber o sacerdócio, na sua Igreja Anglicana. Ao perceber que muitos púlpitos ainda lhe estavam fechados, quebrou a tradição e passou a pregar ao ar livre. Afirma-se que quase nunca pregava sem chorar, e que costumava ler a Bíblia de joelhos. Tendo consagrado a vida a Cristo, orava freqüentemente. A freqüência tornara-se tão numerosa que impressionara John Wesley, que concordou em utilizar o mesmo método.
Quando retornou novamente ao serviço missionário na América, em 1739, começou um período de atividades como ministro congregacional. Jonathan Edwards realizou durante mais de um mês uma série de pregações pela Nova Inglaterra, falando a multidões de até oito mil pessoas quase todos os dias. Essa atividade missionária foi provavelmente o evento que desencadeou o movimento de reavivamento conhecido como o Grande Despertamento. Seu trabalho também lançou o alicerce para a fundação de aproximadamente 50 faculdades e universidades americanas, incluindo a Universidade de Princeton e a da Pennsylvania. Whitefield tornou-se o foco do reavivamento na América, visitando-a sete vezes, mas seu trabalho no Velho Mundo era também bastante vigoroso: em certa ocasião, na Escócia, pregou a 100.000 ouvintes, e 10.000 responderam ao apelo.
Firme defensor do Calvinismo, rompeu com o arminianismo de John Wesley em 1741, mas continuaram amigos. Com isso, passou a ser conhecido como o líder dos Metodistas Calvinistas. Whitefield continuou a pregar extensivamente nos Estados Unidos e por toda a Grã-Bretanha e Irlanda: crê-se que pregou mais de 18.000 sermões. Whitefield morreu na América, em 1770, da forma que desejara: no meio de uma série de pregações. No seu funeral, John Wesley o homenageou como um grande homem de Deus.

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quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Martyn Lloyd-Jones (1899-1981)


Lloyd-Jones foi um fenômeno no movimento evangélico inglês do século XX. Enquanto estudava medicina em Londres, Martyn Lloyd-Jones esteve sob a orientação do famoso Sir Thomas Horder, o médico da corte real britânica. Horder tinha uma abordagem peculiar de diagnóstico, baseada no método socrático: reunir os fatos e raciocinar sobre eles até alcançar uma conclusão. Lloyd-Jones utilizou essa abordagem como o alicerce de sua pregação e trabalho pastoral, ao tratar dos males espirituais das pessoas. Assim, propôs o desafio de que se pensasse a fé evangélica e suas implicações para a Igreja e o mundo.
Sendo designado em 1922 assistente de Horder, o Dr. Jones logo percebeu que estava mais interessado nas necessidades espirituais das pessoas do que nas doenças físicas. Com 27 anos, sem nenhum preparo teológico, tornou-se pastor. Sua marca: ganhar as pessoas para Cristo através da pregação do Evangelho - sem tentar atraí-los com atividades sociais, mas refletindo com os ouvintes acerca da razoabilidade da fé cristã.
Lloyd-Jones enfatizava a importância do poder do Espírito Santo: "Se não há poder, não é pregação. A verdadeira pregação, no fim das contas, é Deus atuando. Não se trata de um homem meramente articulando palavras, mas Deus usando-o." Ele mesmo, como pregador, possuía eloqüência, força e paixão, ao passo que negava o rótulo de "apresentador". Mesmo sendo um avivalista, Lloyd-Jones nunca aceitou extremismos quanto à atuação do Espírito Santo, e nunca chegou a adotar uma posição carismática quanto aos dons espirituais.
O pregador doutor nunca concordou com o método evangelístico de empreender grandes cruzadas para milhares de pessoas. Seus motivos: desconfiava dos resultados a longo prazo e rejeitava a abordagem "técnica" do evangelista. Na verdade, o próprio Lloyd-Jones nunca fazia o apelo para que os ouvintes se convertessem, mas esperava que, após o sermão, fosse procurado pelos que enfrentavam problemas em sua vida espiritual.
Uma das suas contribuições para o movimento evangélico atual foi sua crítica ao secularismo/mundanismo, isto é, a tendência da Igreja de tornar-se semelhante ao mundo. Assim como os israelitas (que deveriam ser luz para os gentios) precisavam ser diferentes dos gentios em sua maneira de vestir, enfeitar-se, comer, praticar sua religião e outros aspectos culturais, a Igreja não deve vestir o manto do mundanismo nem mesmo a pretexto de atrair novos crentes: "Nosso Senhor atraía os pecadores porque Ele era diferente. Aproximavam-se dEle porque sentiam haver nEle algo diferente... E o mundo sempre espera que sejamos diferentes. Essa idéia de que poderemos ganhar pessoas para a fé cristã, se lhes mostrarmos que, afinal de contas, somos notavelmente parecidos com elas é um erro profundo, do ponto de vista teológico e psicológico".
Dedicou grande parte do final dos seus dias à publicação de livros e a visitar pequenas igrejas, encorajando-as. A maioria dos seus títulos traduzidos para o português foram publicados pela editora PES (Publicações Evangélicas Selecionadas).


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